| Vale tudo por um público? |
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| Escrito por Paulo Sacaldassy | ||||||||||||
| Dom, 12 de Outubro de 2008 18:42 | ||||||||||||
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Cada vez mais, as comédias escrachadas, os espetáculos chamados "besteirol", os "stand-up comedy" e coisas do tipo vão ganhando força e angariando cada vez mais público. É fato que o público de hoje em dia anda ávido por comédia, quer o riso fácil. Diz que de tristeza, basta a vida! Mas, será que vale tudo por um público? Essa é uma dúvida que sempre pairará na hora de se produzir um espetáculo teatral. Optar por um clássico ou algo extremamente dramático ou partir para algo do tipo comédia da qual o público sempre estará disposto a assistir? Afinal de contas, é preciso garantir o leitinho das crianças, não é mesmo? Isso acaba pesado na hora da decisão de quem vive de arte. Que atire a primeira pedra, aquele que nunca teve de realizar um trabalho apenas pelo dinheiro, ignorando a qualidade artística do projeto. Talvez, o ideal seria conseguir encontrar o equilíbrio e apresentar uma comédia que causasse o riso fácil e tivesse um texto com um pouco mais de profundidade, mas, nem sempre se encontra algo assim. Acontece que tem hora que é bem mais fácil ir na certa e garantir a bilheteria, porque tem vezes que desanima fazer apresentações com diálogos profundos e fazê-las para meia dúzia de gatos pingados. O fato é que não cabe ficar aqui julgando que quem está certo é quem opta por apresentar comédias escrachadas ou quem prefere clássicos, teorias filosóficas e melodramas. A questão é saber se o artista está disposto a se "vender" para atender a vontade do público. Cada um deve saber o seu preço e o que quer do Teatro. Por mais que muitos roguem pragas, desconjurem e queiram exorcizar aqueles que preferem " vender" a alma para o capitalismo selvagem, precisa-se medir sem preconceitos, o contexto do trabalho. Não é porque se trata de uma comédia, que não pode ser legal. Radicalismo não faz bem para nenhum dos lados. É certo que essa questão causa e causará discussões infindáveis e que cada lado tentará mostrar a qualidade de sua arte, muito embora, todos sabemos que tem coisas por aí que chamam de arte, que pelo amor de Deus!... Mas isso é assunto pra depois. O que não pode ser esquecido é que a opção também é do público. É ele quem está atrás das comédias escrachadas, dos "besteiróis", dos "stand-up comedy". O problema não é único e exclusivo do artista, talvez o público prefira mesmo "emburrecer" ou simplesmente se entreter sem maiores questionamentos e reflexôes. A verdade sobre esse assunto é que os "don quixotes" do teatro continuarão correndo atrás dos seus moinhos de vento, alguns não tão radicais sobre essa questão, tentarão encontrar um meio termo e outros tantos, que pensam a arte como um simples produto de entretenimento, estarão sempre dispostos a venderem suas almas ao diabo, para poderem contar com o teatro entupido de gente.
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Comentarios (5)
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Christian
said:
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... Olá Paulo. Muito bem colocado! Besteirol e demais comédias escrachadas não passam de lixo pra mim. Já o Stand-up, é um caso a parte, pois ele pode, sim, ter seu valor. Nunca vi ele ser usado para o "bem" aqui no Brasil, mas nos EUA, morreu há pouco tempo o comediante George Carlin. Sua especialidade era Stand Up. Contudo eu não o chamaria de comediante, e sim "filósofo". Em seus shows, ele levava o riso, mas com críticas, com incentivo a críticas... Ele questionava toda a sociedade, desde a religião até a política e fazia o público refletir, pois apesar de rirem muito, voltavam pra casa com um murro no estômago tendo que enfrentar os questionamentos que eram digeridos. Mas gente como o George Carlin morre, funkeiros não. |
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Muller Maciel
said:
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... Apesar de todo questionamento sobre os gêneros, é verdadeiramente óbvio a força que tem alavancado a comédia. Pessoas quebram a cabeça durante todo o seu dia com problemas no trabalho, dentro de casa e na comunidade, e espera ir ao teatro para se distrair, rir, e não ter que esquentar a cabeça com o desvendar de uma história qualquer. Entendam, não é antipatia ao gênero, mas é a realidade, as pessoas ultimamente querem uma comédia. Trabalho com teatro há 5 anos e fiz somente um drama, os demais só foram comédia, e digo a vocês que o reconhecimento foi bem maior com as minhas comédias que o drama. Gostaria de fazer mais dramas, tragédias, esse é um desejo meu, gostaria de explorar mais esses gêneros. Embora, esteja muito feliz fazendo minhas comédias. |
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Leo faustini
said:
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... (+) Nossa esse texto é polêmico, pelo menos para mim. Pois envolve ator-público, a discussão que sempre presenciei eu vivenciei durante este tempo de vida Teatral é: você faz teatro para que? para quem? Ufa! perguntas difíceis... cada um tem sua resposta. Bem, compartilhando minha opnião sobre o teatro besteirol, ou sei lá comédia pastelão termo antigo, o teatro é cabivel ele aceita qualquer gênero ou idéia, assim como a arte, principalmente agora na pós-modernidade. No entanto me encomoda sim, assistir assistir a um espetáculo sem valor social, sem valor comunicativo, mas será que esse comédia escrachada é realmente sem valor? E concordando com o comentário acima é claro que as pessoas (massa) preferem ir ao teatro para rirem, para extravazarem o que fica reprimido durante a semana, mês. E é triste que o teatro infilizmente comesse a ser visto como "vou ao teatro rir" ou "vou ao teatro pra me divertir", o teatro da comédia...Aqui no município que moro e atuo ocmo ator, vivemos algo assim, quando vendemos um convite a um preço simbólico, mas assim simbólico mesmo, as pessoas já perguntam se é comédia, e ser for drama esquece.Acredito que o público está sendo treinado para isso, para o teatro da comédia, ou seja, programas de TV. Gente quanto besteira tem na Tv, as Charges, até nos jornais, não desmerecendo-as, o que digo é do uso desregrado e sem noção da comédia para prender telespectadores. Atualmente trabalhamos mais com comédias do que com dranas ou espetáculos clássicos, uma por que o estamo sendo domados pela vontade do público, outra porque siguimos a máxima do teatro, não existe teatro sem público. Será? Acredito que exista, mas o que não exista é a funcionalidade dessa arte. Lendo este texto, vejo que os dialogos sosbre o teatro entre Grandes cidades e cidades interioranas e de estado periféricos como é o caso de Mato Grosso, estão sendo reciprocos, apesar de realidades socio-econômicas diferentes, compartilhamos dos mesmos proplemas, discussões, isso mostra que a arte é realmente universal. E gostaria de poder um dia emocionar uma plátéia com um drama. Bem, acredio que se exista um meio termo, este deva ser considerado, pois equilibrio é fundamental entre os elementos para que possamos ter uma vida em harmonia ou pelo menos em partes em paz... Abraços |
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