A rotina do amor

6:40 é a hora em que nossos relógios começam a gritar a desesperada tentativa de ver os três levantando da cama. Ops, os 4 na realidade.
Meu irmão Thiago é sempre o primeiro, o Renato em seguida, depois eu e por último o Nick, nosso lhasa apso maluco.

Enquanto os dois primeiros tomam banho, aproveito muito para dar uma espreguiçada,  uma cochilada de 5 minutos e uma ligada na TV pra ouvir as primeiras notícias do dia.
Enquanto estou neste lento compasso de começar, meu marido coloca as primeiras peças de roupa para sair. Quando ele está quase pronto, senta delicadamente na cama, me faz uns muitos cafunés e diz que me ama. Com a outra mão ele acaricia o cachorro, num gesto lindo de amor incondicional.
Passados esses 5 minutos que ganhamos de carinho logo nas primeiras horas, ele sai e eu levanto.

 

Nos finais de semana, quando levantamos cedo (isso é um costume lá em casa) vamos até o CEASA ou em um orquidário qualquer. No meio de verduras, frutas, orquídeas e um monte de sonhos, a gente planeja casar, ter filhos e viver o resto da vida junto. E enquanto planejamos, damos risada e falamos de um dos meus assuntos preferidos: futebol.

 

Quando estamos a toa em casa e ligamos um filme qualquer, sou a primeira a dormir. Porque meu marido faz tanto cafuné que eu durmo. E quem, não dorme, me diz?

 

Todo final de tarde, quando chegamos em casa, acendemos um incenso, colocamos coca-cola no copo e contamos de nossos dias. Normalmente este papo dura por volta de 1 hora. É quando vou para cozinha fazer o jantar, (ou ligo na pizzaria) e ele liga a TV. Isso me lembra meus pais.
Quando algum político aprontou alguma nova, ele grita:
"Amor, vem ver isso!". Quando dá eu vou, senão grito devolvendo: "Agora não dá, depois você me conta".

 

Depois de jantarmos, ligo toda noite pro meu irmão pra saber onde anda a pseudo cria. E ele, toda noite responde que está trabalhando mas que chegará em casa até às 22:30 no máximo.
"E se tiver uma comidinha, deixa para mim aí em cima, Tatão".
E toda noite eu deixo. Ou espero ele chegar pra esquentar.

 

Quando deitamos, o ritual é o mesmo do início do dia. Thiago é sempre o primeiro a deitar e gritar do quarto dele o sonoro BOA NOITE, VOCÊS!
O Renato é sempre o segundo a dormir (eu só ganho a primeira posição quando estamos vendo filmes) junto com o Nick e em seguida eu. Sempre com pouco sono. Enquanto o Renato fecha os olhos pra dormir, eu faço cafuné. O mesmo que ele me faz de manhã cedo. Num gesto de agradecimento e de amor. Com a outra mão faço um carinho no Nick. Fecho a porta do quarto do Thi e normalmente cubro o Renato, que sempre joga o cobertor para fora.

 

Assim a gente constrói, a gente ama, a gente vai adiante.
Com a certeza de que, por mais que agente odeie a rotina e tente fugir dela como o diabo da cruz, é ela o nosso maior alicerce. É ela que me faz ter a absoluta certeza de que eles sempre voltarão.
Nas mesmas horas, nas mesmas circunstâncias e como sempre.

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