A indústria do futuro - parte 2

Como disse na semana passada, a cultura tem tudo para ser a maior geradora de empregos do país, mesmo que alguns digam que não. Só para ratificar o que foi dito, estamos à beira da maior festa popular do Brasil, onde é possível se notar o quanto a cultura pode ser um pólo gerador de empregos.

Só levando em conta as Escolas de Sambas do Rio de Janeiro, o número de pessoas que são empregadas para dar vida ao teatro andante é significativo, e dá bem a idéia do que pode ser feito com os outros segmentos da cultura.

Por quê é possível se ter uma indústria do carnaval, e não se pode ter uma indústria do teatro, por exemplo? Muitos vão falar que não é bem assim, que muitas Escolas de Samba são subsidiadas por contraventores penais. Tudo bem! Então, podemos citar o carnaval da Bahia, onde os trios elétricos também são grandes geradores de empregos a serviço da cultura popular.

É claro que existe uma linha muito tênue sobre um aspecto, o de ser profissional sem perder a arte, mas acho que uma coisa pode muito bem andar lado a lado com a outra, sem que ambas se prejudiquem em suas finalidades.

Acredito até que se a arte for tratada com mais profissionalismo, tudo torna-se-ia mais produtivo e talvez não vissemos tantos espetáculos de qualidade duvidosa, e tanta gente sem um mínimo de preparo se colocando como artista em cima de um palco.

Talvez, um dos motivos que façam o teatro não ser tão popular assim, e haja uma certa resistência quanto a divulgação, seja justamente essa falta de profissionalismo, pois, na maioria das vezes, a paixão pela arte acaba influenciando e contribuindo para que se façam montagens que acabam por desprestigiar o teatro como uma arte rentável do seu ponto de vista de negócio cultural.

Não quero aqui desqualificar e nem tão pouco menosprezar aqueles que fazem teatro amadorísticamente, sem maiores pretensões quanto à negócios ou quaisquer aspirações, apenas demonstrar que o teatro pode ser visto sob outro ponto de vista, e que deve se fortalecer como um produto, pois tem de estar preparado para integrar essa grande indústria da cultura, que ao meu ver, em um futuro não muito distante, se tornará a maior geradora de empregos do país.

Se é possível fazer com que outros segmentos da cultura tenham pólos geradores de empregos, como o cinema e o carnaval, por exemplo, por que não se pode fazer isso com o teatro?

Deixe seu comentário


Código de segurança
Atualizar