FUTEBOL EM CENA - UM ESPETÁCULO TEATRAL

Alguém já reparou o quão o futebol e o teatro têm coisas em comum? O futebol é uma arte espetacular onde os jogadores atuam como se estivessem num grande palco. A direção fica a cargo do treinador que supervisiona e dirige à montagem do elenco. Para preparar o espetáculo existem os treinos em que o técnico faz os ensaios com alguns quesitos importantíssimos tais como: a alteração de algumas posições, testes e correções de alguns atores entre outras. Tudo isso para que tudo saia com exatidão na estréia.

Chegado o grande dia quando todos os refletores estão acesos e as cortinas se abrem (ops! desculpem) os portões se abrem e o tablado todo armado, agora está tudo pronto para começar o show. A grande torcida é o público que encara a peça com ânsia e temor, pois não se sabe o script do jogo, daí chega um ponto de difusão, pois nem mesmo atores, diretores e público conhecem o enredo e principalmente o desfecho, uma das qualidades excepcionais do futebol, visto que a história é escrita conforme o decorrer da partida.

Quando os craques da bola entram em cena a emoção começa, os ânimos se alteram e se dividem os papéis, os protagonistas e antagonistas, certo de que cada torcida tem seus vilões e mocinhos. O personagem que comanda o roteiro é o juiz, uma vez que ele é quem lidera as cenas (as jogadas) e qualquer encenação fora do cenário futebolístico, podendo acarretar em expulsões ou advertências. O futebol, muitas vezes, causa uma dualidade de emoções. Ora se confunde com a comédia dell´art contendo algazarras, gritos de torcidas, outrora como um drama shakespereano capaz de causar medos e instâncias, conforme já dizia Nelson Rodrigues: “A mais sórdida pelada é de uma complexidade shaskespereana”. Essa nuance se mistura sob a influência direta da platéia, que opina e xinga atos que não ocorrem no círculo teatral. O gol é o principal momento de êxtase do público, onde no teatro seria o ápice da cena, ocasião crucial de aprovação da torcida e que logo o transforma em aplausos. Porém se o resultado não agradar, a crítica é ferrenha e cruel que pode advir em demissões e/ou substituições de atores, fatores estes que contribuem para melhoria do próximo espetáculo. Este novo espetáculo com alterações é sempre um novo show, pois a história se reescreve novamente.

Com isso não quero afirmar que o futebol e o teatro são idênticos, mas que se identificam. Porque ninguém vê um jogo de futebol parado, pois assim não teria graça, esta é a maior qualidade desta arte. Porém não podemos esquecer que o teatro é um jogo, um jogo de persuasão, um jogo de atores, ele amplia a visão e os instrumentos de quem o “joga”. Por fim, finalizo com uma frase de Daniel Piza (colunista do Estado de São Paulo) “o futebol tem teatro, mas não é teatro”.

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