Pra quê dramaturgo?

Engraçada essa relação entre os atores, diretores e produtores com o dramaturgo, faço um esforço danado pra tentar entender e, ás vezes, finjo até entender, para não parecer antipático. Mas o fato é que: por que será que os direitos do dramaturgo nunca fazem parte do orçamento de um espetáculo?

 

Uma noite dessas encontrei um colega dramaturgo antes da apresentação de uma peça e não precisou mais do que cinco minutos de prosa para estarmos nos queixando da mesma coisa: a falta do pagamento de nossos direitos autorais.

 

É um profundo desrespeito para com quem passa horas, dias e noites escrevendo e reescrevendo um texto. É certo, que talvez, muitos não se dêem conta desse detalhe, ou fazem de conta que não sabem da necessidade de se pagar direitos autorais para quem escreve um texto. Ora, um dramaturgo não precisa, não é mesmo?

 

Até mesmo no circuito amador, onde se luta com dificuldades para colocar um espetáculo em cartaz, se faz necessário um orçamento para discutir gastos com figurinos, cenários, impressos, etc... O que custa incluir neste orçamento a verba do dramaturgo? Ou não é o texto escrito pelo dramaturgo a razão da tal montagem? Isso desanima quem escreve para teatro.

 

É óbvio que a satisfação de ter um texto escrito por você, montado, não tem preço, mas dramaturgo também tem contas pra pagar. Um esforço e uma consciência maior de atores, diretores e produtores, podia contribuir para diminuir um pouco esse abismo que existe entre o direito de receber e a obrigação de pagar os direitos autorais.

 

Muito mais se pode fazer para isso, não só apenas o esforço e a consciência de atores, diretores e produtores. Os teatros e as casas de espetáculos onde são apresentadas as peças teatrais, podem servir como fiscais dos direitos, ficando responsáveis pela retenção dos direitos do dramaturgo e os repassando para a SBAT, que se encarregaria de repassar os devidos direitos autorais aos legítimos donos. Uma ação simples e viável.

 

Um dia, ainda espero que as horas, dias e noites em que passei e passo, escrevendo os meus textos, sejam devidamente recompensadas. Espero também pelo dia em que todo o dramaturgo possa fazer parte do orçamento para montagem de um espetáculo teatral e figurar na planilha dos pagamentos no final de cada borderô. 

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