A Catarse Lúdica nos Jogos Dramáticos PDF Print E-mail
Diego Albuck
Escrito por Diego Albuck   
12/10/09 - 20:29

"O professor não ensina, mas arranja modos de a própria criança
descobrir.” Jean Piaget

 

Desde a sua consolidação na Grécia, o teatro se firma como um instrumento didático-pedagógico, visto que Platão considerava a arte como base de toda a educação natural. Mediante a isso esse artigo objetiva repensar o processo educacional na preparação da criança em sua formação sociocultural, fazendo fluir seus aspectos sensoriais e motores enquanto ser em comunidade. Daí a importância dos Jogos Dramáticos na educação, pois através deles o educador poderá levar aos seus educandos um conhecimento diversificado e lúdico para que haja uma liberação de todas as suas potencialidades através da representação.

A valorização do teatro vem desde a época de Platão, que considerava o jogo fundamental para a educação. Aristóteles, como Platão, deu grande destaque a ele na educação, considerando-o de máxima importância, pois acreditava que educar era preparar para a vida, proporcionando ao mesmo tempo prazer. (Reverbel, 2002, p.12)

Para os romanos, o teatro era uma imitação que teria um propósito educacional se pudessem ensinar lições morais. Horacio considerava-o uma forma de educação e não apenas de entretenimento.

Na Renascença, ocorre o surgimento de diversas academias, onde os estudiosos das obras clássicas encenavam peças latinas. Os membros dessas academias tornaram-se professores, e o teatro na escola começou a florescer. É a partir deste momento que o teatro passar a ser trabalhado dentro das salas de aula, como disciplina; e assim novos caminhos continuaram a abrir-se, novos rumos foram apontados e trilhados.

O ensino de teatro na escola foi revolucionado a partir do movimento da Escola Nova. No século XIX o educador preocupava-se mais com os fins da educação do que com o processo de aprendizagem. (Koudela, 2006, p.18)

Entende-se que as primeiras relações sociais da criança ocorrem na educação infantil e através desse teatro-jogo que a criança descobre a vida e a si mesma através de tentativas emocionais e físicas e depois através da prática repetitiva, que é o jogo dramático. (Slade, 1978, p.18)

Para Freire (1996, p. 46), o educador deve propiciar o meio adequado para que os educandos em suas relações intrapessoais e interpessoais busquem “assumir-se como ser social e histórico, como ser pensante, comunicante, transformador, criador, realizador de sonhos, capaz de amar.”

A arte e a criatividade são fatores essenciais e presentes na fase infantil. Para Slade (1978, p.35) todas as crianças são artistas criativos. Mas para desenvolver essas habilidades elas precisam ser estimuladas e o propulsor desses estímulos é a escola.

A educação seguindo os moldes platônicos, ou seja, como evolução natural, deve ser centrada na criança. Partindo desse pressuposto que o teatro proporciona experiências que contribuem para o crescimento integrado da criança em vários prismas.

A criança, ao iniciar o ciclo básico, está na idade de vivenciar o companheirismo como um processo de socialização, de estabelecimento de amizades. Por isso Piaget (1975) elucida que a escola deve partir dos esquemas de assimilação da criança, propondo atividades desafiadoras que provoquem desequilíbrios e reequilibrações sucessivas, promovendo a descoberta e a construção do conhecimento.

Koudela (2006, p.22) baseada na definição de Slade afirma que o objetivo do jogo dramático é equacionado pelas experiências pessoais e emocionais dos jogadores. O valor máximo da atividade é a espontaneidade, a ser atingida através da absorção e sinceridade durante a realização do jogo. Para isso a criança deve compartilhar essa atividade lúdica baseada nas vivências e experimentações como incitação da aprendizagem.

Segundo o Parâmetro Curricular Nacional – Arte: o teatro, no processo de formação da criança, cumpre não só função integradora, mas dá oportunidade para que ela se aproprie crítica e construtivamente dos conteúdos sociais e culturais de sua comunidade mediante trocas com os seus grupos. No dinamismo da experimentação, da fluência criativa propiciada pela liberdade e segurança, a criança pode transitar livremente por todas as emergências internas integrando imaginação, percepção, emoção, intuição, memória e raciocínio.

Em vista que o educador é o elo entre o ensino e o processo formativo da criança, ele deverá elaborar as suas aulas, por meio de jogos dramatizados, para assim dilatar as aptidões dos seus educandos. É de mister importância que o professor esteja consciente que ele não passará técnicas e sim impulsionará o fruir da criação emanada da criança

Com isso, percebemos que através dos jogos, os alunos puderam desenvolver as suas capacidades de expressão – relacionamento, espontaneidade, imaginação, observação e percepção. Daí a importância do teatro na formação da criança, por isso nos juntamos a Reverbel (2002, p. 168) que afirma que: “é preciso lutar para que o Teatro tenha seu lugar na Educação, porque se ele existe na sociedade, deve existir na escola.” Por isso é de mister importância que se questione mais sobre a educação, porque ao derrubar as paredes da sala de aula a escola será desafiada a refletir mais sobre nosso quotidiano pedagógico.

 

Por: Diego Albuck e Milena Fernandes

 

Referências Bibliográficas

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. Paz e Terra, São Paulo, 1996.

KOUDELA, Ingrind Dormien. Jogos Teatrais. Perspectiva, São Paulo, 2006.

PARÂMETRO curricular nacional – arte/ Secretária de Ensino Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1997. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro06.pdf. Acesso em: 29 abril.2009

PIAGET, Jean. A equilibração das estruturas cognitivas. Zahar, Rio de Janeiro, 1975.

REVERBEL, Olga. Jogos teatrais na escola: Atividades globais de expressão. Scipione, São Paulo, 2002.

SLADE, Peter. O jogo dramático infantil. Summus, São Paulo, 1978.

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