A crise na teledramaturgia

Não é de hoje que dizem que a teledramaturgia está em crise. Será? Muitos dizem que estamos vivendo uma crise autoral. Eu não acho! Outros dizem que o formato da telenovela se esgotou. Mas, como explicar o zum zum zum que toma conta do país, na última semana de uma novela? Acho que o problema é outro.

Todos nós sabemos que a novela passou a ser um produto muito rentável para as emissoras de televisão. Muito embora, seja uma obra cara, a inclusão de cada vez mais anunciantes, a faz uma excelente vitrine, que quanto maior a audiência, mais possíveis compradores dos produtos anunciados, e consequentemente, um lucro maior para ambos os lados. Será então, esse modelo de vitrine o verdadeiro motivo da crise na teledramaturgia?

Participando de um debate com alguns autores de telenovelas, onde esses e outros assuntos foram discutidos, uma questão veio a baila. A interferência das altas cúpulas das emissoras, que estão preocupadas única e exclusivamente com a questão mercadológica do negócio. Tirei então minha conclusão. Não existe crise na teledramaturgia brasileira, o que há é uma crise oriunda dos executivos responsáveis pela aprovação dos projetos de teledramaturgia, que atrás de mais lucros, engessam o autor, delimitando o seu grau de criatividade, em troca de um modelo óbvio e que garanta o espaço para inclusão dos seus anunciantes.

O medo de arriscar em um produto novo, também é o que tem feito, principalmente as novelas da “Globo”, parecerem as mesmas. Parece aquela velha receita de bolo da vovó. Junte todos os ingredientes, bata e coloque para assar, em dez minutos, tem-se um bolo quentinho. Ora, dramaturgia não tem fórmula, e o tempero é o que dá o sucesso ao produto. Talvez esse conceito de dramaturgia tal qual um bolo é que esteja levando as novelas, principalmente as da “Globo”, a terem seus índices do ibope em ligeira queda.

Vocês podem até dizer que houve na “Globo” uma tentativa de inovar chamada “Bang-Bang”, só que nem mesmo o autor teve tempo de explorar a sua idéia. Talvez os executivos responsáveis, arrependidos da tentativa, trataram logo de tentar refazer o mesmo bolo de sempre. Resultado: A receita desandou totalmente. E a partit daí, só o convencional.

Outros podem dizer: - Mas a “Record” tem tentado invovar, eu eu digo: Ainda bem! Muito embora, precisamos de um tempo maior e da continuidade do processo, para termos a certeza que existe alguém tentando remar para uma nova direção. Algo que chego a duvidar, pois quando se trata de bussiness, se o retorno não for o satisfatório, aborta-se o projeto, e pronto!

Acho que a tal crise na teledramaturgia esteja longe de ser algo que tenha a ver com o autor que escreve novelas. É claro, que as vezes eles acabam repetindo uma coisa aqui, outro ali, afinal de contas, trata-se de dramaturgia que procura retratar a vida real, e as vezes, as coisas se repetem também na vida real.

Hoje a novela é reconhecidamente um produto cultural e não há como negar. Mas, enquanto os executivos continuarem preocupados apenas em faturar com elas, a coisa só tende a piorar. Pode ser que quando eles derem conta desse quadro, seja tarde e eles percebam que tenham perdido a galinha dos ovos de ouro. E aí? Só saberemos o desfecho disso tudo no próximo capítulo.

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