Escrevendo para teatro

Como tem gente escrevendo para teatro! Por um lado é muito positivo que exista tanta gente colocando a criatividade a serviço do teatro, mas por outo lado, tem muita gente misturando as coisas. Arquétipos, conflitos, peripécias, nós dramáticos… A complexidade de se escrever um texto de teatro torna o objetivo não tão simples assim.

Está certo que as vezes o impulso é que comanda nossos desejos, só que tem gente que anda escrevendo coisas por aí, que deixa qualquer um de queixo caído. É um emaranhado de palavras e idéias mal resolvidas, cheio de erros de ortografia, divididos em cenas para dar um aspecto de texto de teatro, que se Sheakspeare tivesse a oportunidade de ler, morreria outra vez.

Até entendo que são muitos os fatores que contribuem para que muitos que estejam envolvidos com o teatro, se aventurem em um universo não tão familiar assim, pois um coisa é o texto como instrumento de uma montagem teatral, a outra, completamente diferente, é escrever um texto.

Acredito que muitos até nem se dão conta das dificuldades que enfrentam quando tentam mostrar a verossimilhança dos personagens que permeiam a história que se quer contar. Outros sequer visualizam as dificuldades de se montar a “carpintaria teatral”, sem falar da narrativa propriamente dita, e a sua necessária melopéia.

Acho até lovável que muitas pessoas se interessem em escrever para o teatro, mas, precisamos admitir que há de se reunir alguns predicados que vão muito mais além de ser apenas uma pessoa com criatividade. Precisa-se ser um bom leitor, de livros e até de dicionários, ser um bom observador, gostar de ouvir histórias, e acima de tudo, conhecer um pouco as regras da língua portuguesa. É certo, que volta e meia a gente acaba escorregando em uma vírgula aqui e outra ali, mas algo que se queira ver transformado em uma obra literária, precisa respeitar no mínimo, a ortografia.

Um texto de teatro que possa ser classificado como dramaturgia e figurar realmente como obra de literatura, precisa conter alguns elementos na sua construção, o principal deles é o conflito. Um texto sem conflito, não é um texto de teatro, é apenas a narração de um fato. O conflito é quem vai conduzir a história até que se desembarcar na resolução do problema que foi exposto, e isso tudo tem que ser movido por alguma ação, pois é essa unidade de ação que conduzirá a história.

Por isso, se você realmente gosta de escrever textos teatrais, precisa conhecer algumas das ferramentas da dramaturgia, pois são elas que vão dar a sustentação necessária ao seu texto, e provocar no público que irá assisti-lo, a catarse necessária que justifique o seu desejo de escrever e contar a história.

Dramaturgia não é um simples experimento, e ninguém cresce no teatro brincando de escrever peças teatrais. Se você realmente quer nos fazer companhia nessa árdua tarefa de contar histórias através de diálogos, vá em frente, mas procure se atualizar, se aprimorar, pois não basta escolher um modelo e um estilo para seguir, porque não há uma receita para se fazer o texto perfeito. Estude e desenvolva o seu estilo, para poder um dia servir de modelo para alguém.

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