O exercício da leitura dramática

Nessa última semana fui convidado para ser orientador de um projeto de leitura dramática, onde novos autores tiveram a oportunidade de mostrar seus textos, e onde todos nós pudemos trocar muitas informações a cerca da questão do texto e suas reais funções dentro de uma montagem teatral.

Apesar de também ser um autor novo que preferiria estar do outro lado, apresentando os meus trabalhos, o encontro serviu para que eu pudesse pôr em prática os conhecimentos que adquiri nesses três últimos anos, em que fiz cursos de dramaturgia e de história do teatro, e a troca foi muito boa.

Embora o evento fosse aberto ao público em geral, poucos gatos pingados acompanharam o desenrolar das leituras dramáticas, até entendo, pois quem não participa de alguma forma das coisas que envolvem o teatro, realmente se sentiria um pouco deslocado, mas, e a classe teatral?

Contando o pessoal do grupo que promoveu o encontro, só alguns poucos atores, atrizes e outros interessados, se dispuseram a enfrentar as quatro horas de debates a cerca dos dois textos apresentados, claro que com direito a um intervalinho, um cafézinho e alguns biscoitos.

Tudo bem que se tratava do primeiro encontro de um evento que não é muito comum, mas o pessoal ligado ao teatro que não foi, perdeu muita coisa boa, pois em virtude da discussão da estrutura dramática do texto, pôde se trocar informações que são de grande relevância na montagem de um espetáculo.

Sobre os dois textos apresentados, foi possível discutir as suas deficiências estruturais, tanto cênica, quanto dramática, ficando claro como um texto que não esteja muito bem escrito, pode interferir no resultado final de uma peça de teatro. O encontro serviu também, para que as pessoas presentes verificassem, o quanto é complicado e complexo o processo que envolve a criação de um texto, e que dramaturgia vai muito além de se ter uma idéia e colocá-la no papel em forma de diálogos.

Depois desse encontro, fiquei com a impressão que esse processo deve ser incentivado, não só para mostrar novos autores, mas também para que atores e atrizes tomem conhecimento de como funciona o processo de criação de um autor, facilitando assim, o seu trabalho de interpretação.

Mesmo sendo a primeira experiência, fiquei com a sensação de que todos ali presentes, puderam absorver muitas informações, as quais serão colocadas em prática quando da realização de seus próximos trabalhos. E o gosto de quero mais ficou no ar, dando a certeza que em breve esse mesmo exercício será repetido.

E quanto aos novos autores e seus textos, muito coisa do que foi escrito, pode ser aproveitada, e certamente, diante de tantas trocas de informações, eles serão capazes de refazerem seus textos, os deixando com uma dramaturgia consistente e que causarão boa impressão quando forem montados, e sem sombra de dúvidas, hão de escrever mais e mais textos.

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