ADAO & EVA NO DIVÃ

COELHO DE MORAES

Eis  interpretação alternativa... – pois nada, nadinha é coisa absoluta -...  alternativa à famosa estória que nos remete a etapas do desenvolvimento mental do humano, que ao nascer ainda não possui a consciência desenvolvida, pouco percebendo as coisas que o cerca; obedece sem questionar as orientações do Progenitor (Pater Theos). Ou então, o que é pior, trama e urde nas trevas do desconhecimento e da falta de competência,  permanecendo no Éden sem ter talento para isso. Puro vício.

Adão e Eva criados. Com o passar do tempo, o teórico casal bíblico (lembrando que bíblia é sinônimo de coleção de livros, apenas)  inicia comportamento questionador e se mostra casal consciente do que vê no mundo à sua volta. Primeiro Adão percebe que além de covarde é inepto. Nem para comer a maçã serve. Tem que receber na boca. Parecem adolescentes. O Pai os  declara aptos a seguir suas vidas sem a sua divina proteção. O casal deve se estribar em bom judiciário e amplos sorrisos.

Adão e Eva estariam aptos a viver com os outros seres do Orbe? Poderiam viver como mortais antes de comer do fruto da árvore do conhecimento? São perguntas que ninguém responde.

Quando Adão e Eva foram criados do barro (material orgânico)  e das enzimas - pois não passam de seres construídos e nada nadinha naturais -  Pater Theos lhes dava tudo que fosse necessário à vida, só pedia em troca  a Fé. Mais especificamente, que não tomassem contato com o conhecimento do bem e do mal por conta própria pois seria perigoso. Transformar-se iam em deuses eles mesmos. Ora, para que serviria a Fé se Adão e Eva tinham relacionamento direto com Deus, portanto, sabiam dele, o conheciam, e, por conhecê-lo não necessitavam de provar a  Fé? Além do mais nada tinham que fazer no Jardim. Limitavam-se a posar para fotos e solenidades ocas. Chamar rio de Rio. Declarar que nuvem era Nuvem e assim por diante. Nomear o que não tinha nome.

Então, a pegadinha, em Gênesis 2:16 e 2:17: Ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim podes comer livremente; mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás. Provou-se mais tarde que não havia morte alguma. Pura mentira do Senhor. Alguns exegetas afirmam que a Morte é simbólica e pretende significar a perda da ingenuidade natural ou pureza original. Forçam a barra.

No começo dos tempos, citando Gaiarsa, era proibido ter conhecimento do Bem e do Mal. Nos dias de hoje as religiões e a política (sucedâneo obrigatório)  desejam que saibamos discernir entre o Bem e o Mal se não nos damos mal. Se fosse possível o treino no passado hoje a coisa seria muito mais fácil. Mas, os primeiro sinais de autoconsciência aparecem;  os obstáculos demonstram a incapacidade. Dar nome para a COISA é fácil. Difícil é saber para que serve a COISA.

Outra pegadinha: Gênesis 3:5  A Serpente fala e pelo visto bem sabe do que fala : Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes (o fruto da árvore do conhecimento) abrir-se-ão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal. Outra, em seguida, em Gênesis 3:6: Então, vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, comeu, e deu a seu marido, e ele também comeu. A mulher saiu na frente na busca do conhecimento. Nada desse negócio de intuição. O legal era saber ali na batata, no duro, sem mais nem menos. Nota-se que o humano, então,  olha para si mesmo (reflete): consciência da condição e da individualidade.

Deus, meio brabo, suspende todo o privilégio do casal, o que denota uma tendência à fúria da divindade o  que mostra certo desequilíbrio e descompensação.  Anuncia (para quem? Para os anjos?) que Adão e Eva enfrentarão desafios que são, na verdade, as coisas da vida cotidiana, para ver onde aperta o calo.  Consciência autônoma ao  livre arbítrio. É como se Deus dissesse: - “Vão e construam a civilização!”

Provavelmente, apesar de que não há maneira nenhuma que possamos provar,  a partir desse momento cessa a relação moral de Deus com a humanidade. Deus lava as mãos. Foi embora com suas trombetas para os confins dos Pralayas. Algo que de tão inexorável se torna inútil para a vida comezinha. Não interessa nada saber do infinitos se tem conta de luz para pagar amanhã.

O repórter bíblico no diz o seguinte: Gênesis 3:22: Então disse o Senhor Deus: Eis que o homem se tem tornado como um de nós (nós quem? Que plural é esse? Ele  falava dos elohim? Dos anjos subidos e caídos?), conhecendo o bem e o mal. Ora, não suceda que estenda a sua mão, e tome também da árvore da vida, e coma e viva eternamente. E, tendo tais palavras saído da boca de Deus é, portanto,  possível que o humano se torne eterno. Não é possibilidade descartável.

Será essa árvore o genoma que se vem decodificando? Até vejo os elohim dizendo em coro: - “Mas quem mandou criar esses caras? Agora, segura o rojão, meu”.

O “processo de criação da espécie humana" não se realiza no instante em que Deus cria o homem do barro e a mulher de sua costela (isso segundo a visão patriarcal; há eruditos que afirmam que a palavra que traduziram por costela pode ser traduzida por célula, um pedaço do outro, uma parte do código genético, sêmen e por ai vai. Outros, não patriarcais, afirmam que houve separação do ser duplo em dois, ou seja, tanto Eva saiu da costela de Adão quanto Adão saiu da costela de Eva; depende de quem conta a tal da história ou estória. Se isso for crucial para a existência e manutenção de qualquer religião, estamos mesmo feitos). 

No decorrer de toda a história humana no Jardim do Éden, começando com sua individualização espacial (circunscrição física) através do barro, passando pela individualização da consciência pelo ato de comer o fruto proibido; acarretou a expulsão e deu início ao retorno ao Paraíso ou à busca da felicidade perdida. O que viesse primeiro.

A serpente é uma antiga divindade da sabedoria no Oriente Médio, portanto não surpreende que nesta história haja a presença dela junto à árvore do conhecimento. Como o europeu sempre odiou e chamou de Mal o que vinha de África e Oriente, deram a  pecha de diabólica para a serpente, mas o que é um Seraphin se não uma serpente? Serafim, seraphin, serápis, serpente.

Anjos e arcanjos, querubins e serafins,m serpentes emplumadas.

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