Eu quero ser Artista!!!

Não vai muito longe, o tempo em que se alguém falasse que queria ser artista, era um pega pra capa danado. E se falasse que faria teatro, então? Se fosse homem, o pai torcia o nariz, os amigos caçoavam, e não demorava muito ouvia-se um: “viadiiinho!” E mulher, então? A família inteira descia a lenha. O nome mais doce que eu consigo relatar aqui sem me constranger e não constranger ninguém é vagabunda. Agora vocês com suas cabeças férteis e cheias de sacanagens, imaginem os outros nomes.

Mas, felizmente esse tempo já passou, hoje todo mundo escolhe com a maior naturalidade sua vocação pelas artes, sem ter que ouvir gracinhas e piadinhas mal intencionadas. Acontece que no meio do caminho houve uma inversão de valores, o ser “artista foi trocado por, o ser “famoso”, e de uma hora para outra, começaram a aparecer em programas de televisão, principalmente em bailes carnavalescos, moças bonitas que quando abordadas, nomeavam-se: “modelo e atriz”. Pronto, se fez a confusão.

E seguindo a máxima de que onde tem alguém precisando de algo, tem-se a chance de ser criado um grande negócio, pipocaram pelo Brasil inúmeras Agências de Modelos, umas confiáveis, outras nem tanto, e os pais que consideravam os seus filhos todos lindos, e os ainda consideram, é claro, trataram logo de movimentar o recém-criado negócio, transformando-o em um negócio promissor.

Confesso que também alimentei esse negócio a uns tempos atrás, afinal de contas, tinha na época, duas filhas lindas, que modéstia parte, eram lindas mesmos, só que hoje não são mais duas, e sim três. E seguindo os apelos das avós, tias e tentando respeitar a vontade de minha filha mais velha que cismava que seria modelo, financiem inúmeros books que hoje entulham os interiores de nossos armários. Por outro lado, agradeço por nada ter ido adiante, pois o tal sucesso temporário, por certo, afetaria o desenvolvimento de minha filha.

Com o tempo e o crescimento de minha filha, essa coisa de modelo foi ficando para trás, e ela foi entendendo que o sucesso só vem as custas de muito trabalho e tendo o que mostrar. Só o que não ficou para trás, foi a sensação de ter sido ludibriado e as lembranças dos cheques com os quais paguei os tais books que com certeza, nunca foram utilizados pela tal Agência de Modelos.

Para minha felicidade, que sempre estive envolvido de uma forma ou de outra com o teatro, minha filha mais velha que tanto queria ser modelo, está amadurecida e a três anos freqüenta as aulas de teatro na Escola Livre de Artes Cênicas de minha cidade. Ela por certo, encaminhará as irmãs, aliás, a minha filha do meio já freqüenta a mesma escola. Um alívio!

Sei que hoje é muito difícil desassociar a carreira de artista, da carreira do profissional de artes cênicas, pois se vende a idéia da fama fácil de um jeito impressionante! A menina (se for bonita, melhor), vai e se expõe para o país inteiro através dos BBB’s da vida, sai do anonimato para as entrevistas, de uma hora para outra, se vê pelada na capa de uma revista, e sem nem perceber é convidada para participar de programas de humor, caindo então de pará-quedas como a mocinha na novela das oito. É muita tentação! Sem contar as tais Agências de Modelos, que ávidas pelas comissões, continuam a vender ilusões pelos quatro cantos do país.

Com tudo isso, todo mundo quer ser ARTISTA!!! Pode?

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