Ih, deu branco!

Tudo parece perfeito, cenário, figurino, atores e atrizes afinados após meses exaustivos de ensaios, a adrenalina a mil a espera do terceiro sinal e junto a tudo isso, a expectativa para que o espetáculo saia como previsto e seja um grande sucesso.

A ansiedade já toma conta das coxias, o texto é passado e repassado por várias vezes antes do espetáculo começar. Cada marcação é revisada cuidadosamente. Não há o que dar errado. Agora é pra valer! Eis então que é dado o terceiro sinal.

Os atores entram em cena, o público se mostra bem receptivo com o que vê, a confiança parece acompanhar cada ator em cena, uma fala aqui, outra fala acolá e, de repente, um silêncio ensurdecedor enche a cena, os atores se entreolham... Ih, deu branco!

Pronto, agora assim, ali em cena, materializado, o momento em que todo ator teme, principalmente os mais novatos: esquecer o texto. O que fazer? Pra onde correr? Aquele silêncio aumentando, o nervosismo também. Os atores se entreolham novamente e eis que o exercício da improvisação aprendido lá no início de tudo, se apresenta como tábua de salvação. Um “caco” preenche então o vazio do texto esquecido.

É, um “caco”! É assim que os atores denominam a inclusão de algum texto que não consta da história original durante um espetáculo. E por muitas vezes, o “caco” acaba sendo de fato, um divisor de águas durante uma apresentação.

Por isso, não há com o que se preocupar, pois se no meio de uma cena você perceber que esqueceu o texto, respire fundo, concentre-se no seu personagem e tente buscar em sua memória alguma coisa que lhe remeta ao texto esquecido, mas se o silencio começar a invadir sua interpretação, exercite a improvisação e inclua sem culpa, um belo “caco”, afinal de contas, o espetáculo tem de continuar.

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