A Campainha

Beeeeemmm! Primeiro sinal.
Frio na barriga ouve-se o burburinho do público entrando, quem faz a primeira cena começa a se posicionar. Em fração de segundos é possível “passar” todas as falas da peça ou lembrar de que não foi ao banheiro e geralmente quando lembramos disto a vontade sempre vem. Dependendo do figurino e da distancia dá para resolver o assunto antes do segundo sinal, caso contrario é bom pôr em pratica todas as técnicas de Stanislavski de concentração e preparação de ator que a vontade passa, na maioria das vezes é nervosismo mesmo.

Beeeeeemmm! Segundo sinal.
O ápice da tensão. É nessa hora que sempre me questiono por que fui inventar isso? É tão mais fácil ficar na platéia. O que eu faço? Simulo um ataque? Um desmaio talvez? Não vale a pena, seguindo a máxima: O show deve continuar; com certeza seria substituída por alguém. Enquanto pensei nestas bobagens todas sai totalmente da personagem, para voltar inicio o mantra “calma, calma, se concentre, calma, calma, se concentra…”.

Beeeeeemmm! Terceiro sinal.
MERDA!
Não sei explicar como, mas entre o terceiro sinal e a cortina se abrir relaxo como se nada tivesse acontecido e tudo dá certo.

É esta adrenalina que me encanta no teatro, mais até que o aplauso. O aplauso é importante, gratificante, mas essa apreensão funciona como uma espécie de termômetro. A partir do momento que pisamos no palco na base do “piloto automático” significa que esta na hora de começar estudar novas peças, ensaiar uma nova montagem e se preparar para outra tensão.

Beeeeemmm! A campainha de uma estréia.

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