Palmas, se quiserdes bater!*

Vejo muitos atores em entrevistas dizer: “sempre quis ser artista desde criança”; às vezes sinto um pouco de vergonha em falar, mas este nunca foi o meu pensamento. Nem o da minha família, afinal o sonho dos pais em geral é que seu filho seja um “Dr.” (médico, dentista, advogado). As mulheres até podem ser professora, mas devem se casar no mínimo com um engenheiro.

Foi a partir destes depoimentos que eu comecei a pensar porque eu gosto de fazer teatro. O que me atrai nele? A forma de comunicação, a possibilidade de propor uma reflexão, a chance de viver várias vidas ou o aplauso mesmo? Nem digo ganhar dinheiro, porque definitivamente são poucos os que ganham dinheiro vivendo da arte.

Adoro o frio na barriga minutos antes da apresentação; a expectativa de ver a platéia lotada, a responsabilidade de apresentar um bom espetáculo mesmo em um teatro com poucas pessoas, propor uma “viagem” ao público. Até relembrar os erros que houve durante alguma apresentação pra mim é prazeroso.

As crianças, apesar de que hoje em dia não só as crianças, se empolgam com o glamour da coisa, mas acredito que o teatro é uma ótima oportunidade de informar, entreter e contribuir com a sociedade. Sem contar com enorme conhecimento que adquiro a cada pesquisa para construção da personagem e montagem da peça.

Mas pensando bem se tudo isso vier em um teatro luxuoso, com letreiro luminoso piscante escrito - AUDREY, AUDREY, AUDREY - com um camarim cheio de flores, almofadas de veludo, champanhe e admiradores aos meus pés até que não é uma má idéia.

* William Shakespeare, Sonho de uma noite de verão

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