Faça Teatro!

Faça Teatro! É um dos melhores conselhos que posso lhe dar. Porque ele não é específico e arriscado. Não está sujeito a interpretações errôneas. É um ótimo conselho porque significa “se você quer compreender um pouco melhor a vida, os outros e você mesmo, divertindo-se um bocado no processo, recomendo”.

Assistia uma vez ao programa da Marília Gabriela no SBT, onde na ocasião ela entrevistava um bem sucedido empresário brasileiro, do qual não lembro o nome. No fim do programa ela pediu que ela deixasse uma dica para todos aqueles que planejavam entrar no mundo dos negócios e obter um sucesso como o dele. E foi para surpresa dela e também minha que a dica que ele deu foi: “faça teatro!”.

Mas justamente por já ter feito teatro, depois aquela dica não me pareceu tão surpreendente assim. Quem já fez vai me entender. O teatro é um microcosmo. Ali é possível viver experiências muito intensas num curto período de tempo. É como se tivéssemos a chance de viver uma vida inteirinha de maneira condensada. Uma “dose de vida na veia”, digamos.

Na época que fiz oficina de teatro lembro-me das apresentações das pessoas e de seus motivos para fazerem teatro. Os mais variados possíveis. Um colega fazia Engenharia Naval (!) e sempre quis saber o que passava pela cabeça de um ator quando estava em cena; uma violoncelista clássica queria se conhecer melhor e se expressar; um físico com alma de Clown tentando manter as duas paixões; claro, a típica garota tímida que procurava no teatro uma forma de se soltar. Histórias diferentes, mas que a partir de certo momento se misturaram e passaram a não fazer mais diferença. Porque num certo momento éramos todos artistas, com um objetivo em comum.

Depois de alguns meses juntos, semanas, nos tornamos amigos. E passamos a dividir emoções que provavelmente nenhum de nós imaginou que viveria lá. Passamos a descobrir coisas sobre nós mesmos que não conhecíamos. Tudo era tão intenso, tanto na alegria quanto na tristeza, que chegava a ser inebriante. Viciante. Esperávamos a semana inteira pelos momentos que passaríamos lá. Uma amiga mesmo chegou a dizer que a semana dela só fazia sentido durante as aulas e com aquelas pessoas.

Para o bem ou para o mal muito do que sou hoje como pessoa, devo aos meus amigos e professores de lá. E pessoalmente, acho que foi para o bem. Creio que me tornei uma pessoa melhor. E o mesmo já pude ouvir e comprovar nas experiências de outros amigos.

Foi um dos melhores momentos que vivi e tornou-se base de comparação para todas as alegrias e experiências que viveria depois. Por isso recomendo a você. Seja num curso profissionalizante; seja numa oficina; seja num curso comunitário ou no seu colégio; quem sabe uma companhia própria. Não importa como ou onde, mas siga esse único conselho, mesmo que uma única vez. Faça Teatro!

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