Arte e entretenimento nos dias de hoje

Outro dia conversava com alguns amigos a respeito da qualidade das artes e entretenimento em geral nos dias de hoje. Cinema, música, teatro, TV, literatura. Minhas conclusões a respeito não foram muito animadoras. Atualmente passamos por uma fase onde quase tudo que faz sucesso no que se diz respeito a essas áreas é de qualidade duvidosa. E o pior, de influência duvidosa.

O público de maneira geral parece cada vez menos exigente e mais preguiçoso e isso é terrível para qualquer produção cultural. Cada vez mais artistas optam pelo entretenimento rápido e raso para agradar seu público e com isso obras que necessitam de uma interação maior de sua audiência, mais atenção, pensamento, reflexão, acabam sofrendo com o descaso. Encontram cada vez mais dificuldades para serem vistas, lidas e ouvidas.

Pode até ser que na história do mundo tenha sido sempre assim, mas eu duvido um pouco disso. Shakespeare é tratado hoje em dia cheio de pompa, como algo muito complexo, algo distante e difícil. Ora, ele escrevia peças para o povo em sua época. Um povo pobre e em busca de diversão. Na literatura, dos russos aos brasileiros, os grandes autores sempre foram populares, chegando até mesmo a ser mal vistos pela elite. Mozart fez óperas para o gosto e entendimento popular, quebrando até mesmo a convenção de se usar o idioma italiano para que todos entendessem o que era cantado. Os anos 70 nos Estados Unidos são um bom exemplo de um período em que filmes ousados e inteligentes foram feitos e vistos. Na televisão até mesmo as novelas já foram algo a mais. A Globo teve muitas dessas obras no extinto horário da novela das 10h, com uma novela, por exemplo, que tinha toda sua trama passada durante uma única noite, “Rebú”. Então me pergunto, o que está acontecendo agora?

Não tenho respostas pra isso e nem sei se alguém tem. Pode haver muitos fatores que contribuem, mas não há uma única e simples resposta. Acredito que a velocidade do mundo moderno seja um dos fatores que contribuem para essa simplificação dos pensamentos. Tudo tem que ser muito rápido e as pessoas têm cada vez menos tempo para se dedicar a atividades de lazer, incluindo aí toda a cultura. Portanto tudo que requer mais tempo e reflexão passa a não ser bem aceito. A cultura acaba sendo nivelada por baixo.

Hoje em dia o teatro sofre muito. A competição com outras formas de entretenimento é grande e a competição interna também. As peças de maior sucesso de público têm sido as grandes produções, que não necessariamente são as de melhor qualidade. No cinema um filme que passa de uma hora e meia de duração encontra dificuldades para ficar em cartaz, ainda mais se for “sério”. Na literatura os best-sellers não são mais os grandes clássicos de outrora, mas sim aqueles que parecem mostrar um caminho melhor para aqueles sem rumo. A música, coitada, está relegada a papel de “fundo sonoro” já que as pessoas parecem não lhe dedicar mais tempo exclusivo. Ela só surge para compor alguma outra atividade e geralmente por isso a música escolhida geralmente não é muito complexa. E a TV? Ai, a TV… Essa vai mal das pernas. Minha vida inteira fui criado apenas com televisão aberta. Há 4 meses adquiri TV a cabo. Creio que 95% do que assisto na TV hoje em dia é de canais pagos. Nossa TV aberta sofre de uma falta de criatividade, qualidade, bom gosto e respeito inacreditável. Mas essa também sofre de algo parecido com a música. Muitas vezes ela está ligada por simples inércia.

Ao que parece a arte e entretenimento hoje em dia são como imagens na janela de um carro em movimento. Elas passam depressa, às vezes reparamos. “Olha lá, que legal!”. Mas quase nunca estamos dispostos a parar para apreciar melhor e ver se realmente valia a parada. Infelizmente, quem parar hoje em dia pode se decepcionar muito. E acabar não parando nunca mais.

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