| A superficialidade dos tempos modernos |
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| Escrito por Paulo Sacaldassy | ||||||||||||
| 18/04/10 - 12:34 | ||||||||||||
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Ainda ontem, cadeiras decoravam as calçadas das cidades, crianças brincavam soltas pelas ruas, a amizade com o vizinho ao lado, era de fato uma amizade e o respeito ao semelhante era uma virtude. Hoje, carros passam apressados pelas ruas, a violência enclausurou nossas crianças e os vizinhos, quem precisa deles?
A vida em comunidade não existe mais, mesmo que em momentos de catástrofes, alguns ainda se mostrem solidários, a maioria é apenas uma casca usando roupas de grifes e passeando de carro importado. Hoje, a cultura do cada um por si é o que está em voga e o meu direito não mais termina quando começa o do outro. Ora, pouco me importa o direito do outro!
É isso, não se pode tapar o sol com a peneira, as pessoas estão superficiais, ninguém quer compromisso, ninguém quer envolvimento, parece que as pessoas estão praticando a cultura do eu sozinho, ou do cada um por si. Vive-se com o medo de tudo, até de sofrer. É a superficialidade dos tempos modernos afastando o ser humano das coisas básicas da vida.
Tudo isso acaba refletindo nos programas de televisão, nas peças de teatro, nas novelas. Ninguém mais busca o ser humano pela emoção, a preferência é sempre por, barracos, catástrofes, baixarias e pelo riso fácil de piadas sem graça. Não se faz pensar, refletir, não se questiona mais, não se provoca. E mais e mais o ciclo vai piorando.
Nestes tempos de relações artificiais, onde bisbilhotar a vida alheia é mais interessante do que entender o porquê de tanta injustiça social, precisamos, nós que temos o poder da palavra, usá-la com toda a nossa força para direcionar o leme deste barco à deriva que se tornou a vida humana, fútil e vazia, onde o mais importante é saber se fulano se separou de sicrana, ou se sicrana está tendo um caso com a beltrana.
É claro que não precisamos ser sempre ácidos e melancólicos, muito menos reacionários, até porque, rir é e sempre será melhor do que chorar. Usemos, então, o poder da comédia para criticar, ironizar, apontar os defeitos e até mesmo caçoar da insignificância do homem moderno e a sua interminável preocupação com a matéria.
Cada dia que passa, pior fica o ser humano, acomodado na superficialidade das coisas sem importância. E, se ao invés de tentarmos instigá-lo, provocá-lo, fazê-lo refletir no espelho a sua mesquinhez, continuarmos insistindo em alimentar a sua superficialidade, em pouco tempo, não teremos mais homens interessados em ler nossos livros.
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Comentarios (3)
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Kbça
said:
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... O 'pouco tempo' já chegou; Hoje há quem não se interesse por livro algum! E a ignorancia é tanta que aqueles que realmente promovem algo de bom e interessante sem casca e sem chifres é tachado de doido que não tem o que fazer e fica inventando moda.É a típica situação ossiforme! |
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Araceli Kene
said:
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... Nossa já falei tanto sobre isso com as pessoas e também em meus blogs que até esgotei... E parece uma coisa de louco entra por um ouvido e sai por outro, a moda é ser surperficial, quando você não é te olham com uma cara como se fosse de outro mundo Affe, Deus nos acuda! Mas muitos profissionais também não tão nem aí pro poder que têem em mãos, a arte é mais uma forma de ganhar dinheiro e a comédia opa, muitas vezes, é isso que as pessoas procuram riso fácil, pra que então quebrar a cabeça? Infelizmente me deparo cada vez mais com isso... Eu amo rir, adoro comédia mais antes de tudo adoro a inteligência! Um humor bem pensado é muito show! Acho que ironizar, criticar é um papel que a comédia quando bem feita faz com uma propriedade invejável! Te taca a verdade na cara sem você se irritar. Ler? Hum, prefiro nem comentar; Beijo |
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Marcus Vinícius Weber Kneip
said:
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... Tenho também refletido sobre a superficialidade de nossos tempos. O que será que há com as pessoas que desesperadamente buscam apenas o prazer imediatista, um hedonismo infecundo e livre de qualquer reflexão? Sem dúvida, a constante atualização das informações e a urgente expressão dessas tantas novidades colaboram, em muito, para o aviltamento criativo de nosso povo e de nossa sociedade. Em muitos aspectos, é triste participar dessa nova cultura de massa que insiste, a toda hora e a todo momento, em nos bombardear com os seus excessos. Não podemos mais parar diante de absolutamente nada para refletir, contemplar, discernir, pensar?! O que há de errado com o homem de nossos tempos, que não se deixa envolver e se aprofundar em suas próprias questões e quiçá, nas questões alheias? Meu Deus, isso chega a ser desesperador. Desesperador no sentido de que o homem de hoje, o homem chamado pós-moderno, não possa, ou não queira, ou mesmo renegue o seu semelhante em sua condição universal de humano! O que há de errado com o sentir? É claro que o sentir virou palavra antiga, de romance. Penso que, dessa forma, vendo o bonde passar com tanta velocidade - e novidades - o nosso homem, boquiaberto, possa, de uma hora para outra, morrer babando e pasmado de tanto rir. Do nada. Rindo da descoberta do absoluto nada. |
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