| A ausência do público |
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| Escrito por Paulo Sacaldassy | ||||||||
| 16/05/2010 - 17:13 | ||||||||
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Por mais que a produção seja caprichada, que o texto tenha o conteúdo apropriado, que os atores estejam afinados dentro de seus papéis, nada, nada adianta, pois a platéia quase sempre está vazia, ou salpicada de meia dúzia de gatos pingados espalhados pelo teatro e, olhe lá!
Meses de trabalho árduo, gastos com produção, quase sempre de próprio bol-so, mais, cenário, figurinos, sonoplastia, tudo cuidado com todo zelo, até a preocupação de fazer um bom investimento na divulgação da peça não consegue ser suficiente e, apesar de tudo, isso não parece o bastante para convencer o público de quão boa é o espetáculo.
É lamentável, por vezes, entristecedor ir assistir a um espetáculo e não ver mais do que cadeiras vazias ao seu lado e lá no palco, o artista dando o seu melhor se preocupando apenas com a sua arte, procurando não demonstrar a desilusão pela não presença do público. Muitos espetáculos não agüentam mais do que uma temporada de um mês.
Não se pode nomear os altos preços como o grande e único vilão pelo esvaziamento do público teatral, pois, hoje em dia, ir ao cinema está bem mais caro do que assistir um espetáculo teatral, exceção feita apenas aos espetáculos de grandes nomes da televisão, onde os tão falados preços populares não são tão populares assim, mas isso é assunto para uma outra hora.
Talvez a resposta mais correta e a mais verdadeira, seja a falta de formação de uma platéia acostumada a ir ao teatro. Durante muito tempo, ir ao teatro sem-pre foi muito caro e um sonho bem distante para a grande maioria da população, mesmo que hoje ainda seja. Mas apesar de toda a campanha de popularização do teatro, nada se mostra eficiente para trazer o público ao teatro. Até espetáculos gratuitos, muitas vezes, não conseguem encher suas platéias.
Acho que somente daqui alguns anos, com a insistência em levar as crianças para assistirem uma peça de teatro, principalmente solidificando a idéia de projeto-escola e implementando a campanha de popularização do teatro, além de incentivar cada vez mais os jovens para que estes conheçam o universo do teatro, pode-se ter uma mudança no quadro atual.
Por hora, cabe a todos nós que fazemos teatro, continuar a quebrar pedras, respeitar aqueles que se dispõe a prestigiar o nosso espetáculo e, por fim, desenvolver a arte de interpretar para cadeiras vazias e aceita-las como os nossos mais fiéis espectadores, pois, embora elas não batam palmas, sempre nos darão a certeza de uma casa cheia.
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Comentarios (2)
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Marcus Vinícius Weber Kneip
said:
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... Presença Ausente Nós, artistas, formadores de opinião e consequentemente, de público, devemos fazer uma acirrada reflexão sobre o que estamos produzindo em nossos teatros e qual é o verdadeiro objetivo daquilo que nós intentamos mostrar ou revelar através da arte do teatro. Muitas vezes, lamentavelmente, muitos grupos talentosos de teatro, no auge de suas concepções e visões acerca daquilo que pretendem criar, preocupam-se mais em apresentar as suas obras para o próprio meio teatral em que vivem, do que para um público que não está habituado a fazer da reflexão e da releitura das coisas o seu código diário de conduta. Dessa constatação, advém algumas perguntas: Como nós, artistas de teatro, vamos comunicar ao grande público nossos anseios, nossas angústias, se não estamos conseguindo aproximar as pessoas para formar um grupo significativo de espectadores? Será que não há um certo isolamento da classe no tocante as questões da chamada grande massa - que alheia ao cerne de suas mais profundas questões, prefere ficar em casa assistindo televisão ou comendo pipocas em algum cinema comercial, do que aproximar-se de alguma produção "duvidosa" e "estranha" do teatro? Não há dúvida de que a responsabilidade de formar um público generoso é nossa, e somente nossa. Não podemos ficar mais olhando para nossos próprios umbigos, acreditando que essa ou aquela produção é merecedora ou não de um prêmio tal ou de uma tal crítica especializada se não olharmos com coragem e grande generosidade para essa massa perdida de espectadores que aí está. Devemos, portanto, escolher a quem queremos atingir. Se a nós mesmos, para darmos um pouco de alento e calor humano aos nossos próprios abismos e perplexidades diante desse novo mundo que aí surge, ou a esse velho novo mundo louco que aí está, a pedir sempre que a arte o dê uma saculejada nas moleiras e na alma, sedento por algo que o modifique de verdade? |
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mara elisiane ribeiro manenti
said:
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... Desculpe vir relembrar,mas soube que o João Gabriel faleceu,fiquei muito triste.Pelo q vi foi em 2009.não sei se vai lembar de mim,mas estudamos juntos no Divino.Aguardo retorno,tenho muitas saudades!Bjs! MARA |
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Paulo Sacaldassy é dramaturgo, roteirista, poeta e letrista. Com artigos construtivos e úteis, escreve sobre teatro em geral e publica todo domingo no Oficina. Leia
Julio Carrara é Dramaturgo, ator e diretor. Publica artigos apimentados sobre teatro e a vida artística em geral, dentro e fora dos palcos, toda sexta no Oficina. Leia
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