| O gargalo da garrafa |
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| Escrito por Paulo Sacaldassy | ||||
| 27/06/2010 - 19:23 | ||||
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É certo que muitos querem atingir o status de roteirista principal do principal produto da televisão que é a telenovela, eu também busco isso. Mas também é líquido e certo que nem todos conseguirão, pois o gargalo da garrafa é estreito e a garrafa não é tão funda assim. Não se trata de falta de qualidade, é apenas concorrência tal e qual a existente em qualquer outra profissão.
A concorrência por vezes é desleal, o que não chega a ser nenhuma novidade, mas isso não pode nos desviar do caminho, porque o fato de não se atingir o tal posto não pode frustrar a vontade e o prazer de escrever, porque se isso estiver acontecendo é porque o principal é atingir o posto e o glamour que ele proporciona e não a satisfação e o prazer que se tem em contar histórias.
O que aprendi com o tempo é que embora o meu foco seja atingir o posto principal do principal produto da televisão, eu resolvi encarar a concorrência através do meu trabalho, pois se o gargalo é estreito, preciso estar em forma para quando me aproximar dele e estar em condições de entrar. Até porque não sei se um dia vou chegar assim tão perto da boca da garrafa.
Tenho buscado aprender com o que as pessoas andam dizendo sobre o atual momento das telenovelas, pois as críticas estão fortes. Dizem que é falta de criatividade, que há um esgotamento do gênero, que é isso, que é aquilo. Inclu-sive se queixam do envelhecimento dos autores e da falta de renovação. Talvez seja um mix de tudo isso, mas deve-se ter a consciência que não há espaço para todos que querem chegar lá.
A despeito do envelhecimento de alguns mestres e da repetitiva fórmula empregada por cada um deles para contar as suas histórias, entrar nesse seleto grupo é como atingir o posto de titularidade de jogador da seleção da brasileira. E isso, não se resume apenas em ter ou não ter talento, vide quantos caneludos temos em ação na nossa seleção brasileira de futebol.
Ás vezes, as oportunidades, que já são escassas, tornam-se quase inviáveis para quem mora longe da sede das emissoras que produzem o produto novela e, por certo, quem está mais perto, tem as maiores chances. Só que isso não deve desestimular ninguém, pois volta e meia um novo talento consegue ultrapassar o gargalo da garrafa. Portanto, o prazer de contar histórias tem de ser renovado dia-a-dia.
E já que um dia o que me fez pensar em atingir o principal posto do principal produto da televisão foi o prazer que tenho em contar histórias, vou seguindo meu caminho criando e contando minhas histórias por meio dos meus textos para teatro, por meio de meus roteiros, me realizando cada vez que vejo um deles sendo produzindo.
E se um dia eu vou ter a oportunidade de me espremer no gargalo da garrafa? Não sei. Mas vou seguindo firme e feliz, agradecido pelo dom de poder contar histórias
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Comentarios (1)
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Araceli Kene
said:
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... Bacana, seu pensamento, mesmo porque o importante não é entrar pelo gargalho da garrafa mais sim saber que você tem capacidade para entrar nela, e que se assim tiver que ser você passará, muitas vezes, não é o final do caminho que interessa mais sim o percurso até lá, você se transforma naquilo que está dentro de você... |
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Paulo Sacaldassy é dramaturgo, roteirista, poeta e letrista. Com artigos construtivos e úteis, escreve sobre teatro em geral e publica todo domingo no Oficina. Leia
Julio Carrara é Dramaturgo, ator e diretor. Publica artigos apimentados sobre teatro e a vida artística em geral, dentro e fora dos palcos, toda sexta no Oficina. Leia
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