| "Por que a criança cozinha na polenta?" |
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| Escrito por Andréa Albuquerque | ||||||||||||
| 27/09/2008 - 18:33 | ||||||||||||
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“Durante o espetáculo serviremos um jantar para dois espectadores.
O prato servido será gulash com polenta, prato típico romeno (...). Se você quiser participar basta acenar para a atriz no momento que ela chamar. Obrigado.” * Está tudo ali. Tudo sem hierarquia de importância. Tudo é aproveitado. O expressionismo como pintura, como composição cênica, como expressão dos sentimentos. Tudo é lido como um texto heterogêneo. Tudo. Nelson Baskerville, diretor e responsável pela adaptação do texto de Aglaja Veteranyi, “Por que a criança cozinha na polenta”, a cada trabalho (pelo menos naqueles que estive presente – Camino Real [2007] e Moritz - Ternos e Eletrodomésticos [2007]), não se perde em sua proposta ou na realização dela. Algo como se as peças formassem um grande espetáculo a cumprir a compreenção da sua mensagem na renovação teatral e percepção do social. Não desmereço aqui grandes espetáculos que seguem os moldes clássicos teatrais, apenas qualifico o golpe de ar fresco apanhado ao nos reinventarmos. "A IMAGINAÇÃO É AUTOBIOGRÁFICA.” **
A história é narrada por uma criança, filha de pais circenses, que cresceu no período autoritariamente trágico da Cortina de Ferro adotado pela União Soviética. O único livro da escritora romena Aglaja Veteranyi (1962 – 2002) traduzido para o português, “Por que a criança cozinha na polenta” – nome que também leva a peça – , traz fortes aspectos autobiográficos de sua vida. Na apresentação, a tradutora Fabiana Macchi, deixa claro: “Autobiografia sim, mas sem memorialismo. Um malabarismo de perspectivas.” ''SONHO QUE MINHA MÃE MORRE. ELA ME DEIXA UMA CAIXA COM A BATIDA DO SEU CORAÇÃO.''
Sob a ótica dessa criança exilada, percorrendo inúmeros cantos do Leste Europeu, é possível perceber a incoerência humana, repetindo os mesmos erros. Talvez venha daí a opção de contar a história dessa menina, que viveu um conflito de ideais políticos inaceitavelmente irreais, com uma linguagem teatral fugindo de qualquer pensamento realista. Paradoxalmente, nessa fuga de tudo, encontram-se todos os elementos presentes no teatro pós-dramático. Mas é no uso deles, na significação aplicada, no desrespeito afetuoso a convenções, e explosão de imagens onde é possível criar no espectador outras inúmeras emoções e assimilações. "IMAGINO O CÉU. ELE É TÃO GRANDE, QUE LOGO ADORMEÇO, PARA ME ACALMAR."
Então dá-se o encontro, onde a palavra não é a principal motriz, onde cenário e objetos cênicos, trilha, projeções, gestos, danças e atuações (inclusive, ótimas atuações da Cia. Munguzá de Teatro) compilam-se de fato em um espetáculo extremamente estético e sensorial. Onde a tortura idiossincrática existente em cima do palco é transformada em indignação pela tortura cometida dentro daqueles quartos (e mentes) de janelas cobertas por cortinas de ferro. Desde o ínicio, o ar é preenchido pelo cheiro de comida cozinhando na boca do fogão... "NA HORA DO ABATE, O CACAREJO DAS GALINHAS É INTERNACIONAL, ENTENDEMOS, NÃO IMPORTA O LUGAR."
![]() * Aviso entregue junto com o ingresso para a peça. ** Trechos do livro “Por que a criança cozinha na polenta”, de Aglaja Veteranyi "Por Que a Criança Cozinha na Polenta" de Aglaja Veteranyi, tradução Fabiana Macchi
Temporada até 29 de março
Sextas e Sábados 21h e Domingos 19h ingressos: R$ 15,00 e R$ 7,50 (estudante e classe artística) Teatro Arthur Azevedo: Rua Paes de Barros, 955 - Moóca - São Paulo/SP Próxima temporada: Abril e Maio - Teatro Fábrica - Quartas e Quintas-feiras (horários a confirmar) - São Paulo/SP Elenco: Daniela Rosado, Sandra Modesto, Tatiana Moreira, Marcos Felipe, Rafael Marques.
DIREÇÃO E ADAPTAÇÃO Nelson Baskerville DIRETORA ASSISTENTE Ondina Castilho DIREÇÃO MUSICAL Ricardo Monteiro TRILHA SONORA Nelson Baskerville PREPARAÇÃO DE ATORES Ondina Castilho e Flávia Lorenzi ILUMINAÇÃO Wagner Freire Cenografia Flávio Tolezani FIGURINOS Aurea Calcavecchia e Carol A. VÍDEOS Patrícia Alegre PROJETO GRÁFICO: Nelson Baskerville ASSESSORIA DE IMPRENSA Vânia Barboni PRODUTOR ASSOCIADO Nick Ayer PRODUÇÃO CIA MUNGUNZÁ DE TEATRO
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Comentarios (3)
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Nelson Baskerville
said:
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... Ei querida, estou sem palavras. Me surpreende a forma de entendimento que você tem do meu trabalho, sua sensibilidade com ele. A crítica precisa também de um ar fresco e com esse nosso trabalho de "formigas" quem sabe, pouco a pouco a gente vai "desviciando" artistas, público e crítica. um beijo, Andréa. |
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Rafael Adriano
said:
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... Não tive a oportunidade de assistir tal espetáculo. Primeiro porque resido em Belo Horizonte e outra porque não obtive informações sobre o mesmo. Mas, vendo parte dele neste vídeo pude observar o quanto suas simbologias, analogias e expressões surrealistas nos mostra o belíssimo e riquíssimo espetáculo teatral por vocês apresentado. Sucesso! Até mais! |
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Gabriel krummenauer
said:
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... Como você escreve bem . Olha quero me aperfeisuar igual você mas para isso tenho que estuda e acessar esse site aqui . |
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Paulo Sacaldassy é dramaturgo, roteirista, poeta e letrista. Com artigos construtivos e úteis, escreve sobre teatro em geral e publica todo domingo no Oficina. Leia
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