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Escrito por audrey
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25/10/2007 - 00:00 |
Como reagir quando alguém na “vida real” dá a sua deixa ou fala o texto de uma peça que você está ensaiando?
Termina o texto, correndo o risco de a pessoa não entender, e ter de explicar a cena?
Você entra com a sua fala e quem deu a deixa, sem saber, solta um sonoro: - Hããã! E você responde: - Nada, pensei alto.
Há outra hipótese também, talvez esta seja a mais comum. Fala mentalmente o texto, faz aquela cara de bobo que só a paixão por algo ou alguém é capaz de produzir, seguida daquela chacoalhada de cabeça para desfazer o semblante.
E as montagens feitas há anos, que de tão especiais nunca esquecemos as falas? Sem contar as falas das outras personagens, que de tanto ensaio decoramos também.
É claro que tudo no teatro é extraído do dia-a-dia, só que na maioria das vezes o interlocutor não conhece a peça, e a deixa foi dada na hora mais imprópria para brincadeira. Tenho três cenas que volta e meia surgem fora dos palcos.
Às vezes ao se despedir das visitas que recebemos nos finais de semana em casa a minha mãe diz: - Não vai fica mais um pouco. E na minha mente entra em cena Joana furiosa com Jasão em Gota D’água de Chico Buarque dizendo: - Isto não fica assim!
No trabalho marcando uma nova reunião alguém fala: - Quando é que nós três vamos nos encontrar de novo? Eis que me aparece a primeira feiticeira da peça Macbeth de Shakespeare sugerindo: - No raio, na chuva ou na tempestade?
E a supercampeã, a que mais sai do palco e entra no meu cotidiano, só que esta as vezes não vem certinha, geralmente tenho que adaptar a fala da pessoa. - Sabe onde eu fui hoje? Logo respondo: - A cartomante, aquela que me recomendaram. (Zulmira falando com Tuninho em A falecida de Nelson Rodrigues).
Confesso que na maioria das vezes completo as falas. Não costumo explicar cena nenhuma, acabo servindo de prova para as pessoas afirmarem “esse povo de teatro é tudo doido”.
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