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Escrito por Tatiana Cavalcanti
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11/08/2006 - 00:00 |
Não importa se indicado, não indicado, experiente, novato, seguro ou inseguro, todo mundo fica numa situação desconfortável quando vai a um teste.
Primeiro porque isso mexe muito com o ego da gente. Para começar a saga (pelo menos a minha, tá?) já fico ansiosa para hora do teste. E o engraçado é que quanto mais ela se aproxima menos eu quero ir. Na realidade é óbvio que quero ir mas fica difícil admitir que a gente pode não pegar o trabalho e ficar com o ego esmagado. Artista com essa coisa do ego é foda!
Segundo porque nos sabemos rigorosamente avaliados. Naquele momento ou se faz exatamente o que os orientadores querem ou perde-se. Ninguém quer saber se você está num bom dia, num mal dia, whatever. Todo dia tem que ser dia.A ante-sala dos testes (seja ela qual for) já não favorece. Fica ali você, sentado, tirando a pelinha do canto da unha, olhando pra nada; o loirinho do lado olhando fixamente pra sua própria mochila; a nega bonita lendo todos os panfletos pendurados nos murais. Ninguém se conhece. Todo mundo se sabe concorrente. Eu, por exemplo, costumo me afastar das pessoas que estão tentando adivinhar do que o teste será composto. Eu me nego a passar por especulações que me deixam ainda mais nervosa antes de um teste. É meio esquisito você tentar se enturmar com a galera na ante-sala de um teste. Acho estranho puxar papo tipo: “E aí, você veio de onde?”, “Se preparou para o teste?”, “Prazer, sua concorrente, Tatiana”. Não rola para mim. Isso é pessoal, eu sei. Mas eu não consigo fazer rápidas amizades quando estou nervosa. Ambiente de teste pra mim é sempre meio sofredor apesar de já ter passado muito em teste!
Bom, passada a fase inicial do constrangimento entramos no teatro ou no estúdio.
Aí, em alguns casos, todo mundo faz o teste junto. O orientador do teste autoriza que todos subam ao palco, tirem seus sapatos e se coloquem num círculo. O primeiro exercício será coletivo e ritmico. Por sequência, passamos ao individual ritmico. Logo depois um coletivo de canto e mais uma vez, um individual de canto. - O foda do individual é que você sabe que, além dos orientadores do teste, existem seus concorrentes querendo que você dê uma bela desafinada - . E todos te olham. Assim como você olha pra eles quando está esperando sua vez. Passado isso, um exercício corporal. O exercício exige bastante cuidado e atenção. Tudo que eu não tenho. Mas sou disciplinada e quando subo num palco eu me transformo, fico atenta e espertíssima. No meio de um dos testes o orientador chama a atenção de alguém que você achava que estava arrasando. Aí você fica ainda mais insegura (por ter achado errado), tremendo horrores e com vontade de mudar de idéia na hora. Mas não dá mais tempo, você é persistente e vai ficar. Você faz sua parte tentando esquecer que está sob pressão, olhos e línguas afiadas. Sob orientadores rigorosos, gente que tem 30 anos de teatro. Ufa. No resultado final, no frigir dos ovos, você passa pelos testes até que tranquilamente. Acaba o teste, você respira e tem certeza absoluta que exagerou na dose de agonia. Nem foi tão mal assim, vai. E nem demorou tanto quanto achávamos que ia demorar, foi só 1:30 hs. Você já participou de leituras mais longas, fala aí.Quando passa a gente se acha talentoso. Quando reprova a gente pensa em mudar de vida. Quando chamam pro teste dá frio na barriga. Quando não chamam a gente se frustra. Vida dura essa de artista. Vida de gente iluminada. Vida de teatro. Vida da gente. Da gente que adora de paixão ser artista.
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