O popular também pode ser arte

Não é de hoje que a discussão entre o erudito e o popular toma conta da cena cultural. Prega-se sempre que o sofisticado e o rebuscado, são atributos que representam genuinamente a arte, seja ela, literatura, pintura, música, teatro. Mas, como fica a arte feita para o povo?

Muitos podem atém dizer que não se faz arte verdadeira para o povo, coisa que até concordo. A arte que é entregue ao povo, não passa de arremedo, de engodo, puro entretenimento, e há de convir que a música representa muito bem esse quadro de falta de qualidade artística, basta ouvir o que toca nas rádios.

Mas, partindo do princípio de que tudo que é fruto da criação é a manisfestação pura da arte, o que deve ser discutido é se ela é de bom ou mau gosto. Acho que o resto faz parte de uma discussão infindável. A única coisa que não é e nem pode ser considerada arte, é foto de mulher pelada em revista masculina (mesmo que de vez em quando valha a pena dar uma espiadinha! Por pura curiosidade, não me levem a mal!) Mas, chamar a exposição da anatomia feminina revisada por photshop de nu artístico, chega a ser um acinte à todos os pintores que nos presentearam com as imperfeições dos corpos femininos em óleo sobre tela. Bem, só que isso é assunto para outra hora. A questão é se a arte pode ou não ser popular.

Analisando bem o quadro, pode se notar que o popular pode ser arte, tanto quanto o erudito pode se tornar uma arte feita para o povo, mas é claro que tudo depende de interesses mercadológicos. Se for lucrativo levar a orquestra à favela ou levar o funk para as festas da alta roda (coisa que já acontece), tudo se acerta através do preço que se paga.

Falando em funk, está aí a demonstração de que o popular pode virar arte desde que interesses mercadológicos sejam satisfeitos. Tanto que até já se cogita transformar o funk em patrimônio cultural. Pode?

É isso aí, meus amigos, não vale a pena arrancar os cabelos em busca de fazer a verdadeira arte, aos olhos do povo e aos interesses da mídia, isso não tem lá muito importância. Se a mídia quiser fazer do ballet clássico, do teatro, algo realmente popular, isso acontecerá, enquanto isso, apure bem os seus sentidos e não se aborreça tanto, pois o popular também pode ser arte, mesmo que seja através de interesses mercadológicos e não agrade quem vê a arte de outra maneira.

Ah, e antes que me atirem pedras, quero deixar claro que esse popular não tem nada a ver com a cultura popular, que a manifestação artística de um povo, onde a arte encontra refúgio para se realizar plenamente e o artista se sente completo. Mas essa, coitada, não é assim tão popular, a não ser uma ou outra festa que atende os tais interesses mercadológicos.

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