A herança de um teatro marginal

Cada dia que passa, o teatro necessita de uma visão mais profissional, aquela visão de outrora, de que teatro é uma arte marginal e etc e tal, já não combina com os dias de hoje. Querer colocar-se sempre à margem, como uma arte miserável, já está ficando uma coisa ultrapassada. Tem-se que pensar o teatro como uma indústria e, cada grupo de teatro, como uma empresa dessa cadeia produtiva.

 

A postura de catadores de migalhas que circunda entre alguns daqueles que fazem teatro, ás vezes, se mostra deprimente, dá impressão que se planta dificuldades para colher facilidades. Arma-se a choradeira, mas sempre se coloca o espetáculo em cartaz. Algum retorno deve haver, pois ninguém que se diz miserável colocaria um espetáculo em cartaz apenas pela arte. Puro ranço do tempo em que o teatro era de fato marginal.

 

É sabido e de conhecimento pleno de todos que militam na arte do teatro, que não é nada fácil, nem manter um grupo, nem realizar um espetáculo. Mas qual atividade produtiva tem facilidade para manter seus negócios lucrativos num mundo extremamente capitalista e voraz? O teatro não pode permanecer com esse pensamento pequeno e com características minimalistas.

 

Essa idéia de marginalidade que insiste em permanecer em certos setores do teatro, acaba por torná-lo, cada vez mais, uma arte secundária em termos de arrecadação e captação de patrocínio. À medida que o cinema brasileiro adotou uma atitude mais profissional, seu negócio como indústria só faz crescer no cenário nacional.

 

Está mais do que na hora, de deixar para trás, esse pensamento de arte marginal que sempre pairou sobre o teatro. Não cabe mais tratar o teatro como algo menor e desprezível. Cabe á todos que pensam o teatro como uma arte que pode ser grande e, que de fato é, mudar esse quadro de miserabilidade e de que só a marginalidade retrata o verdadeiro teatro.

 

A indústria da cultura merece que o teatro, tal qual o cinema, figure como um de seus pilares de sustentação, podendo contribuir cada vez mais, para o desenvolvimento do país e mostrando o quanto um espetáculo teatral pode ser viável e rentável.

 

Deixemos essa herança de um teatro marginal apenas como história para os livros que contam e contarão a história do teatro no Brasil. A hora é de fortalecer o teatro como uma cultura que faz parte de uma grande indústria que está em franca evolução e não de se apequenar como uma arte relegada à migalhas e a marginalidade.

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